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História
A génese desta Organização remonta ao final da primeira metade do século XX. Por essa altura, a produção de leite na região do Entre Douro e Minho, não estava, no que concerne às actividades agrícolas, entre as mais proeminentes. Para tal desiderato, podemos elencar alguns factores:
«Em vários concelhos, a Norte e a Sul do rio Douro, uma parte do leite era encaminhada para o abastecimento público, especialmente na cidade do Porto (…).
Outra parte era destinada à venda aos industriais de lacticínios, os quais, porém, estavam longe de satisfazer as necessidades dos produtores, pois:
- Nem sempre adquiriam o leite produzido, nos períodos de maior abundância;
- Pagavam o leite ao maior baixo preço possível;
- Retardavam muito o pagamento.» (Serrão, 1999, p.13).
Em resultado destas arbitrariedades, considerou-se por bem alterar a situação vigente até então. Assim, foi proposto o seguinte:
«- Fundar algumas cooperativas, sobretudo em zonas onde a produção de leite já tivesse razoável volume e/ou onde fossem boas as perspectivas de aumento;
- Criar uma União de Cooperativas Leiteiras, para coordenar e representar o sector e para desenvolver a industrialização;
- Adquirir uma unidade fabril, tendo em vista conseguir, para os produtores, mais estabilidade e maiores rendimentos.» (Serrão, 1999, p.13).
Entretanto, os Grémios da Lavoura de Vila do Conde, no dia 25 de Setembro de 1948 e da Póvoa de Varzim, no dia 1 de Outubro de 1948, decidiram criar as respectivas Cooperativas Leiteiras, cuja circunscrição abrangia a respectiva área do seu concelho.
A empresa A Lacticínia do Ave, Limitada, com sede em Portas Fronhas -Vila do Conde, que entretanto tinha sido dissolvida e declarada em liquidação, foi adquirida pela Cooperativa Agrícola Leiteira do Concelho de Vila do Conde e pela Cooperativa Agrícola Leiteira do Concelho da Póvoa de Varzim, por via de escritura lavrada no Cartório do notário da cidade do Porto, no dia 7 de Abril de 1949. Deste documento podemos destacar a parte na qual a Junta Nacional do Produtos Pecuários, a primeira outorgante, concede às segundas outorgantes acima mencionadas «…um financiamento de DOIS MILHÕES DE ESCUDOS, destinado ao exercício da actividade a que elas/em comum vão dedicar-se, de distribuição de leite e fabricantes de lacticínios, m[n]a fábrica que, livre de qualquer encargo compraram em comum e partes iguais à sociedade comercial por cótas [quotas], em liquidação, “A Lacticínia do Ave, Limitada, sita no lugar de Portas Fronhas, Vila do Conde…» ( Escritura, Cartório Notarial do Porto,7 de Abril de 1949, p. 1/2).
No dia 11 de Abril desse mesmo ano, as duas cooperativas supracitadas, conjuntamente, com a Cooperativa Agrícola da Ribeira do Neiva, que mais tarde deu origem à Cooperativa Agrícola do Concelho de Barcelos, constituíram a União das Cooperativas dos Produtores de Leite do Norte Litoral com sede em Portas Fronhas Vila do Conde. A sua circunscrição abrangia a área dos concelhos de Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Maia, Santo Tirso, Vila Nova de Famalicão, Barcelos, Esposende e Viana do Castelo.
Até ao ano de 1957, a Organização acima mencionada efectuou, por diversas vezes, alterações aos seus estatutos, com vista a alargar a área social de influência a outros concelhos. De referir ainda, que o alvará de 20 de Julho de 1957, deu, também, origem à adopção de uma nova denominação. A partir de então, surgiu a União das Cooperativas dos Produtores de Leite de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes, S.C.R.L.. Todavia, existia alguma incoerência nesta designação, uma vez que alguns desses concelhos estavam, e estão, localizados geograficamente a sul do Douro.
O fim do regime corporativo, uma das muitas alterações que a Revolução de Abril de 1974 provocou, metamorfoseou, quase por completo, a situação vigente até então, no que concerne às atribuições dentro das Organizações da Lavoura, consagrando a estas um novo estatuto. A extinção dos Grémios da Lavoura, permitiu-lhes ficar com a posse de algumas das estruturas dos Grémios.
A Agros por despacho conjunto emanado pelos Ministérios da Agricultura e Pescas, do Comércio e Turismo e do Trabalho integrar e gerir o património, as funções e o pessoal da extinta federação. Podemos dizer que desde esse momento, esta Organização iniciou um período de exponencial crescimento. Todavia, já no início da década de 70, por acção do seu Presidente, José Antunes de Azevedo e do Gerente, João dos Anjos Lopes, a Agros começou a ser encarada com maior credibilidade, perante os produtores e o mercado. Como corolário desta situação, no final dessa década, decidiu-se construir novas instalações fabris, uma vez que as existentes já não correspondiam aos desígnios preconizados pela Agros, U.C.R.L.. Desta forma, antecipou-se no tempo as potencialidades da produção de leite na região e as necessidades futuras de mercado.
Em 1985, todas as cooperativas que se haviam cooptado à União das Cooperativas, mantinham o vínculo a esta. Porém, nesse mesmo ano, por escritura celebrada no dia 30 de Agosto, «A denominação da União das Cooperativas de Produtores de Leite de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes, S.C.A.R.L., é alterada nos termos da legislação em vigor, para AGROS – União das Cooperativas dos Produtores de Leite de Entre Douro e Minho, U.C.R.L..» ( D.R., III Série, , n.º8, 10-1-1986, Artigo 1.º,p.318 ). No preâmbulo deste documento, podemos ainda aferir que a sede da União deixou de se localizar na cidade do Porto, mais propriamente na Rua da Restauração n.º 12, transferindo-se para o Lugar de Portas Fronhas, em Vila do Conde.
Do período atrás transcrito, devem ser salientadas duas alterações importantes:
- introdução do nome Agros, agregando-o à designação anterior, uma vez que se considerou necessário substituir a palavra União, pois a mesma, para fins comerciais, já não correspondia aos desígnios preconizados pela Organização e, então, «...foi acolhida a ideia de que a denominação da União deveria ter uma sigla que facilitasse a sua identificação…» (Serrão, 1999, p.40). Assim, «… foi escolhida a sigla AGROS, nome já utilizado como marca de um queijo da União e que tinha origem no título da revista dos estudantes do Instituto Superior de Agronomia.» (Serrão, 1999, p.40).
- substituição da sigla S.C.A.R.L. (Sociedades Cooperativas Agrícolas de Responsabilidade Limitada), por U.C.R.L. (União de Cooperativas de Responsabilidade Limitada).
No mesmo documento, podemos aferir que «…todo o leite produzido na área da federação, excluindo o dos concelhos de Vale de Cambra, Arouca, Castelo de Paiva, Cinfães e Resende, deverá ser concentrado em postos existentes ou a criar pertencentes à União de Produtores de Leite de Entre Douro e Minho localizados na referida área. (D.R. II Série, 14/11/1978, p.6845). Assim, as Cooperativas de Arouca, Castelo de Paiva, Cinfães, Resende e Vale de Cambra, que anteriormente estavam agregadas à União de Cooperativas de Produtores de Leite de Entre Douro e Minho, passaram a fazer parte da área social abrangida pela Lacticoop.
Em 18 de Julho de 1989, registaram-se mais algumas alterações nos estatutos. A Lactimontes – União de Cooperativas de Lacticínios do Alto de Portugal, U.C.R.L., foi incorporada na AGROS – União das Cooperativas dos Produtores de Leite de Entre Douro e Minho, U.C.R.L.. Decorrente desta fusão, a área social desta Organização, passou a abarcar, também, todos os concelhos dos distritos de Bragança e Vila Real, compreendendo, agora, um total de 69. De salientar ainda que o património, a totalidade dos activos e passivos, os associados e o pessoal efectivo da Lactimontes, passaram a ser geridos pela Agros.
Entretanto em meados da década da 90, para potenciar ao máximo o leite recolhido pelos produtores associados das Cooperativas agrupadas, ganhar escala num mercado cada vez mais competitivo e acrescentar valor à “commodity” leite, em 1996, a AGROS, U.C.R.L. – na altura a maior empresa láctea nacional, com 298 milhões de litros de leite recolhidos/ano –, a Lacticoop, U.C.R.L. e a Proleite, C.R.L., em conjunto, criaram a LACTOGAL, Produtos Alimentares, S.A.. Assim e sequencialmente, as actividades e estruturas de transformação industrial e de distribuição/comercialização destas três Organizações passaram a ser um activo da Lactogal, Produtos Alimentares, S.A..
Para tal desiderato, contribuiu, sobremaneira, a liberalização do mercado em todo o espaço da União Europeia. A fileira do leite não ficou imune a esta nova realidade e as três Organizações mencionadas, sentiram a necessidade de espoletar e incrementar a produção láctea nacional, agregando-se para assim ombrear com as sua congéneres europeias que, entretanto, haviam intentado estabelecer-se no mercado português.
Actualmente, apesar do core business enfocar na recolha, concentração, classificação e valorização do leite, bem como o apoio técnico aos Produtores, num passado recente, houve também necessidade de prover a Organização de novas opções estratégicas, por via da diversificação da sua actividade de negócios, sempre cooptada ao sector Agrícola. Deste modo, desde 1997, a Agros S.G.P.S. (Sociedade Gestora de Participações Sociais) passou a deter parte ou a totalidade do capital social de algumas empresas (ver organograma empresas participadas).
A “aldeia global” preconizada por Marshall McLuhan veio alterar significativamente a ordem das relações pessoais e empresariais vigentes. A nossa Organização procurará no novo “Espaço Agros”, o maior investimento efectuado até hoje, concentrar valências capazes de responder assertivamente aos desafios impostos pela Globalização. Assim, perspectivando o futuro, procurar-se-á trabalhar de uma forma constante e equilibrada os vectores Economia, Sociedade e Ambiente.
Bibliografia:
- SERRÃO, Fernando: Breve e Simples Narração de um Percurso Empolgante, 2000.
Documentos:
-Escritura, Cartório Notarial do Porto, 7 de Abril de 1949.
-Alvará do Ministro da Agricultura, publicado em Diário de Governo, nos dias 1 e 11 de Outubro de 1948.
- Alvará do Ministro da Agricultura, de 30 de Outubro, publicado em diário de Governo, no dia 3 de Novembro de 1948.
- Alvará de 30 de Junho de 1949.
- Alvará de 27 de Fevereiro de 1951.
- Alvará de 8 de Janeiro de 1952.
- Alvará de 14 de Julho de 1952.
- Alvará de 20 de Julho de 1957.
- Decreto-Lei n.º 443/74 de 21 de Setembro.
- Decreto-Lei n.º 482/74 de 25 de Setembro.
- Diário de Governo, III Série, n.º 262, de 4 de Novembro de 1978.
- Diário de Governo, III Série, n.º 8, de 10 de Janeiro de 1986.
- Diário de Governo, III Série, n.º 204, de 5 de Setembro de 1989.
- Contrato: Concentração e Unificação das Actividades e Estruturas de Transformação Industrial e de distribuição Comercial de Agros, Lacticoop, Proleite e Lactogal, de 27 de Dezembro de 1996.
Outras Fontes:
SERRÃO, Fernando – Breve e Simples Narração de um Percurso Empolgante: Agros- União das Cooperativas de Produtores de leite de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes, U.C.R.L., Março de 1999.
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